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Filhas e filhos: ensinamos dinheiro do mesmo jeito?

Uma menina pode ter mais intenção de cuidar do dinheiro e, ao mesmo tempo, menos confiança na própria capacidade. Um grande estudo sugere observar não só o discurso, mas a prática dada a cada criança.

Autoria: Equipe editorial do PocketPal Kids · Revisado e atualizado em: 8 de outubro de 2026

Os pais raramente dizem em voz alta: “meu filho precisa aprender investimentos; minha filha, economia”. A diferença pode surgir de modo mais discreto. Uma criança é chamada com mais frequência para comparar planos, configurar um aplicativo ou calcular uma compra grande. A outra recebe lembretes para ter cuidado e não gastar demais. As duas ouvem falar de dinheiro, mas praticam papéis diferentes.

O que o estudo encontrou entre 5.370 adolescentes

Steve Agnew e Valerie Sotardi analisaram as respostas de estudantes de 11 a 18 anos na Nova Zelândia. Os participantes avaliaram a abertura das conversas familiares sobre dinheiro, sua confiança e intenções, além da experiência real com operações bancárias e orçamento.1

Os meninos relataram mais confiança em questões bancárias e tinham com maior frequência experiência com conta de poupança. As meninas relataram um pouco mais de abertura financeira na família e intenções mais fortes de lidar com assuntos bancários. Os pesquisadores não encontraram diferença entre meninas e meninos no comportamento real de orçamento.

Os autores alertam que os coeficientes foram pequenos, os dados eram transversais e autorrelatados, e a amostra era majoritariamente de famílias de renda mais alta. O estudo não prova que os pais criaram as diferenças e não pode ser aplicado automaticamente a qualquer país ou família.

Ainda assim, a combinação “mais vontade de agir, menos confiança” merece atenção. Confiança não é o mesmo que competência: um adolescente pode superestimar a própria habilidade ou saber o suficiente e ainda duvidar. Portanto, é mais útil observar a experiência que a família oferece do que apenas o que a criança diz.

Faça uma revisão dos papéis financeiros em casa

Lembre-se dos últimos três meses e anote qual criança foi convidada a:

  • comparar preços ou condições de uma assinatura;
  • planejar um valor para a semana;
  • fazer um pagamento com supervisão;
  • escolher uma meta e calcular o prazo;
  • descobrir por que o preço final ficou diferente do anunciado.

Se uma criança recebeu principalmente tarefas de cautela e a outra tarefas de cálculo e escolha, troque os papéis no mês seguinte. É importante oferecer não só as mesmas explicações, mas decisões de dificuldade comparável.

Também vale observar a linguagem do retorno. “Tenha mais cuidado” ensina a evitar o risco, mas não a avaliá-lo. “Mostre quais opções você comparou e qual risco aceita correr” tira a conversa do julgamento do caráter e a leva para a análise do método.

Não corrija cada ação com antecedência. Defina um limite e regras de segurança, mas deixe a escolha com a criança dentro deles. Depois, peça que explique o raciocínio: quais opções viu, o que comparou e do que abriu mão. Assim, você avalia a forma de pensar, não o tom confiante.

No PocketPal, cada criança pode trabalhar com as próprias metas, saldo e tarefas dentro do mesmo sistema familiar. Se houver mais de uma, observe não apenas os valores, mas também os tipos de decisão confiados a cada filho. Educação financeira igual não significa carteiras idênticas até o último centavo. Significa o mesmo direito de tentar, errar e lidar com escolhas mais complexas.

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