Mesada para crianças: o que mostram estudos da França e da Suíça
Quanto dar de mesada para uma criança? Pais e mães muitas vezes procuram um valor exato, mas dois estudos de 2025, realizados na França e na Suíça, sugerem que o valor é apenas parte da questão. Conforme a criança cresce, a mesada pode deixar de ser apenas um pequeno dinheiro para gastar livremente e se transformar em um orçamento pessoal e em uma ferramenta de autonomia.
Os dois estudos não são diretamente comparáveis. Na França, a Harris Interactive1 entrevistou 1.099 crianças de 8 a 14 anos. Na Suíça, a Sotomo2 ouviu 1.429 pais de crianças e adolescentes de 5 a 18 anos. Ainda assim, analisados em conjunto, eles mostram algumas tendências parecidas.
Com a idade, a mesada tende a ficar mais regular
No estudo francês, 49% das crianças de 8 a 10 anos recebiam mesada regularmente. A proporção subia para 53% entre 11 e 12 anos e para 59% entre 13 e 14 anos. Na Suíça, crianças menores recebem dinheiro com mais frequência de forma irregular ou semanal, enquanto o orçamento mensal se torna mais comum por volta dos 13 anos.
Essa mudança é importante: não aumenta apenas o valor, mas também o período que a criança precisa planejar. Administrar dinheiro por uma semana é mais simples do que fazê-lo durar um mês inteiro.
O valor aumenta — e a responsabilidade também
Na França, crianças que recebiam mesada regularmente relataram uma média de cerca de €35 por mês. Entre 13 e 14 anos, o valor ficava perto de €39. Na Suíça, a mediana cresce bastante com a idade: aproximadamente 40 CHF aos 14 anos e 90 CHF aos 16.
Mas o estudo suíço traz um contexto importante: adolescentes mais velhos começam a pagar, com o próprio orçamento, roupas, transporte, alimentação e outras despesas reais. Portanto, receber mais não significa necessariamente ter mais dinheiro totalmente livre.
Esse pode ser um próximo passo interessante na educação financeira. Quando o adolescente recebe um orçamento separado para roupas, precisa escolher entre uma peça cara ou várias mais baratas, comparar preço e qualidade, adiar uma compra ou esperar uma promoção e preservar dinheiro para outras necessidades. Isso cria uma prática concreta de consumo mais consciente e de planejamento do orçamento.
Mas essa é uma interpretação desse modelo, e não um efeito causal demonstrado pelos estudos. Harris e Sotomo não mostram que entregar um orçamento para roupas, por si só, torna uma criança automaticamente mais competente com dinheiro.
Mesada não é a mesma coisa que pagamento por tarefas
Os pesquisadores franceses trataram a mesada regular separadamente do dinheiro ganho por prestar um serviço ou fazer um trabalho extra. Na Suíça, 62% dos pais entrevistados não vinculavam a mesada a tarefas domésticas, notas escolares ou outras condições.
Daí surge uma distinção útil: um valor previsível pode ajudar a praticar planejamento, enquanto oportunidades de ganhar dinheiro extra podem existir separadamente.
As crianças não necessariamente gastam tudo na hora
Na França, 53% das crianças disseram ter mais tendência a guardar o dinheiro recebido do que a gastá-lo. Entre 13 e 14 anos, poupar e gastar ficam quase equilibrados. Na Suíça, os pais relataram que cerca de 80% das crianças guardam pelo menos parte da mesada.
Isso não prova que a mesada ensine automaticamente a poupar. Mas os dados também não sustentam a ideia de que a criança inevitavelmente gastará tudo assim que receber.
O que dá para testar em casa
Em vez de buscar um único valor “certo”, a família pode aumentar a responsabilidade aos poucos. Uma criança menor pode começar com uma pequena quantia semanal. Mais tarde, pode passar para um orçamento mensal. O passo seguinte pode ser transferir uma categoria clara de despesas — por exemplo, parte do orçamento de roupas ou lazer — combinando antes o que deverá ser pago com esse dinheiro.